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Programa domiciliar · baseado na Integração Sensorial de Ayres

A reabilitação não acontece apenas durante cinquenta minutos de atendimento.

Ela acontece nas pequenas experiências do cotidiano. O programa domiciliar prepara quem cuida do seu filho para transformar a rotina da casa em intervenção, com método, orientação e supervisão contínuas, onde quer que a sua família more.

Letícia Dutra sorrindo com uma criança pequena no colo durante uma avaliação
Por telessaúdefamílias acompanhadas em todo o Brasil

Onde a intervenção acontece

“nas pequenas experiências do cotidiano”

o banho
a alimentação
a brincadeira
a ida à escola
as interações da família

O que é

Uma intervenção desenhada para acontecer na sua casa

Programa domiciliar não é uma lista de exercícios para fazer entre uma sessão e outra. É uma modalidade de intervenção pensada para o ambiente da casa e para o contexto diário da família, com objetivos funcionais e relevantes para as necessidades da criança e de quem cuida dela: comer, dormir, tomar banho, brincar, participar.

Nesse modelo, o meu papel muda. Eu deixo de ser quem executa a terapia e passo a ser uma colaboradora que, com conhecimento técnico e especializado, aprimora as habilidades dos cuidadores para alcançar as metas que definimos juntos.

O ponto-chave do sucesso está na participação de quem cuida. É uma intervenção centrada na família: desenhada com ela, não entregue a ela.

Mãos de uma mãe e de uma criança brincando juntas com argolas de encaixe no tapete da sala

Quem cuida

O cuidador não é somente quem garante a sobrevivência dessa criança. É quem ensina, organiza a rotina, acolhe as emoções, interpreta comportamentos e ajuda essa criança a participar do mundo.

São essas pessoas que passam mais tempo com a criança e que conhecem profundamente os seus sinais: sabem o que a acalma, o que a desorganiza, o que favorece a sua participação e a sua autonomia no dia a dia.

Fortalecer os cuidadores é também promover desenvolvimento infantil.

Duas crianças pequenas aninhadas dentro de uma rede sensorial azul

Para quem é

Quando o programa domiciliar faz sentido

Para crianças com alterações do processamento sensorial, dentro ou fora do espectro autista, e para crianças e adolescentes com dificuldade em desempenhar os seus papéis ocupacionais. Na prática, avaliamos os pontos fortes e as limitações nessas áreas de ocupação.

AVD

Atividades de vida diária

O autocuidado básico: banho, vestir-se, higiene, alimentação, uso do banheiro.

AIVD

Atividades instrumentais

Cuidar de si e do ambiente: organizar os pertences, preparar um lanche simples, cuidar de um animal.

Descanso

Descanso e sono

A rotina de dormir, adormecer, permanecer dormindo e conseguir descansar.

Escola

Educação

Participar da aula, dar conta das tarefas, aprender e se organizar no tempo escolar.

Brincar

Brincar

O brincar espontâneo e exploratório: brincar de casinha, com carrinhos, montar um jogo, sozinho ou com outras crianças.

Tempo livre

Lazer

O que se escolhe fazer no tempo livre: assistir a um filme, ouvir música, um passeio, um hobby.

Convívio

Participação social

Estar com a família, com os amigos, na escola, na comunidade, em festas e grupos.

Brincar não é o mesmo que lazer. Brincar é a atividade espontânea, movida pela própria experiência de brincar. Lazer é o que a criança escolhe para ocupar o tempo livre. Na avaliação, as duas são olhadas separadamente.

O caminho

Um programa em cinco fases

Nada aqui é improviso: é o modelo de programas domiciliares descrito na literatura da terapia ocupacional, o mesmo que fundamenta a minha pesquisa.

01

Relação colaborativa com quem cuida

Tudo começa pelo vínculo: entender a rotina de vocês, as prioridades da família e o que já foi tentado até aqui.

02

Objetivos definidos com a família

As metas de intervenção saem do que é funcional e relevante para vocês, com avaliação e instrumentos padronizados como base.

03

Atividades sensoriais e adaptação da casa

Seleção de atividades sensoriais planejadas e adaptação do ambiente domiciliar, com foco na modulação sensorial, na ampliação do repertório de atividades de vida diária e na participação da criança.

04

Suporte para a implementaçãoa parte que costuma faltar

Vocês não recebem orientações e ficam sozinhos: encontros por vídeo com quem cuida, análise conjunta do desempenho da criança nas atividades e ajuste das estratégias em tempo real.

05

Avaliação do progresso

Reavaliação em prazo combinado, com os mesmos instrumentos, para medir o que mudou e redesenhar o programa a partir do ponto em que a criança está.

Modelo de cinco fases proposto por Novak & Cusick (2006).

Letícia observando um bebê deitado numa plataforma de balanço enquanto oferece um brinquedo de argolas

Telessaúde

Uma forma de estar próxima de famílias distantes

A maioria das famílias que acompanho nem mora na minha cidade. A avaliação pode ser presencial, eu viajo até a criança quando faz sentido, e todo o acompanhamento acontece por telessaúde: orientação em tempo real, análise de vídeos da criança e ajustes individualizados das atividades.

Para a família, isso significa acesso a uma intervenção especializada sem depender da cidade onde vive. Para a criança, significa ser acompanhada exatamente onde a vida dela acontece.

A base científica

Um programa domiciliar baseado na teoria de Integração Sensorial de Ayres

A abordagem nasceu para a sala de terapia, e é lá que a intervenção de Integração Sensorial acontece: ela precisa do setting. O que a literatura mostra é em que condições os seus princípios se preservam no ambiente domiciliar. É isso que separa um programa domiciliar baseado na teoria de Integração Sensorial de Ayres de uma lista de atividades da internet.

A fidelidade da abordagem não depende apenas do ambiente clínico. Ela pode ser descrita no ambiente domiciliar, desde que se preservem os elementos essenciais: participação ativa da criança, desafios adaptativos graduados, integração intencional de múltiplos sistemas sensoriais e relação colaborativa entre terapeuta, criança e cuidadores.

Parham et al., 2007

Cuidadores orientados aumentam a consistência da intervenção e promovem oportunidades diárias de prática sensorial, ampliando a probabilidade de respostas adaptativas. A própria Ayres salientou que a família e o ambiente natural da criança são indissociáveis do processo terapêutico.

Schaaf & Mailloux, 2017 · Ayres, 2005

Programas domiciliares mediados por telessaúde permitem acompanhamento contínuo, orientação em tempo real e ajustes individualizados das atividades, mantendo a fidelidade da intervenção mesmo fora da clínica.

Ekici, 2020 · Schlichting, 2022 · Sel, 2023 · Oliveira, 2023
Não.

O programa substitui o atendimento no consultório?

Um ensaio clínico recente mostrou que a intervenção em setting terapêutico, combinada a um programa domiciliar estruturado, promove melhoras no desempenho ocupacional e no alcance de metas funcionais. O programa domiciliar não compete com a terapia que a criança já faz: ele soma, levando a intervenção para onde ela vive. E onde ele é o que a família consegue ter agora, também faz diferença: é exatamente isso que a minha pesquisa de pós-doutorado investiga.

Yazicioğlu & Bumin, 2025
Letícia Dutra, terapeuta ocupacional, sentada à mesa da recepção do consultório

Quem conduz

Sou a Letícia Dutra. Este assunto é a minha prática, e é a minha pesquisa.

Sou terapeuta ocupacional, doutora em Ciências da Reabilitação, docente da Certificação Brasileira em Integração Sensorial de Ayres e supervisora de terapeutas ocupacionais.

A minha pesquisa de pós-doutorado é exatamente esta: o uso da telessaúde em programas domiciliares associados à abordagem de Integração Sensorial de Ayres. O que proponho à sua família é o que eu estudo, ensino e superviso na prática de outros terapeutas.

DoutoraCiências da Reabilitação
DocenteCertificação Brasileira em Integração Sensorial de Ayres
SupervisoraTerapia Ocupacional
Estudante de pós-docTerapia Ocupacional

Perguntas de quem chega

O que as famílias costumam querer saber

Se a sua pergunta não estiver aqui, me escreva: a conversa inicial serve exatamente para isso.

É uma lista de atividades para fazer em casa?

Não. É uma intervenção desenhada para a rotina de vocês, com metas definidas em conjunto, suporte durante a implementação e reavaliação em prazos combinados. A lista pronta, sem acompanhamento, é justamente o que esse modelo evita.

Substitui a terapia que meu filho já faz?

Não. A literatura mostra que o atendimento em setting terapêutico e o programa domiciliar se somam. Se a criança já tem terapeutas, o programa conversa com esse trabalho e leva a intervenção para o dia a dia da casa.

Moramos em outro estado. Funciona?

Sim, e essa é a regra, não a exceção: a maioria das famílias que acompanho é de fora. A avaliação pode ser presencial, com deslocamento combinado caso a caso, e o acompanhamento acontece por telessaúde.

Quem participa? Precisa ser a mãe ou o pai?

Participa quem passa mais tempo com a criança: mãe, pai, avós ou profissionais envolvidos no cuidado diário. O programa é dirigido a quem vive a rotina, porque é nela que a intervenção acontece.

Para quais crianças é indicado?

Para crianças com alterações do processamento sensorial, dentro ou fora do espectro autista, e para crianças e adolescentes com dificuldade em desempenhar os seus papéis ocupacionais: autocuidado, sono, escola, brincar, lazer e convívio social. A avaliação inicial mostra os pontos fortes e as limitações da criança nessas áreas e se o programa faz sentido para o momento dela e da família.

O primeiro passo

Vamos conversar sobre a rotina do seu filho?

Me conte a história de vocês. A partir daí combinamos a avaliação e você entende, com clareza, o que dá para construir dentro da rotina da sua família.

Falar com a Letícia